terça-feira, 21 de novembro de 2017

DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA


O Dia da Consciência Negra, instituído em 2003 no Brasil, lembra o dia em que foi assassinado, em 1695, o líder Zumbi, do Quilombo dos Palmares, um dos principais símbolos da resistência negra à escravidão. Desde então, em muitos municípios é decretado feriado ou ponto facultativo. Mas muito além de um feriado, o 20 de novembro deve servir para mobilização e mais informação sobre a luta dos negros por liberdade, respeito, oportunidade e empoderamento.

A homenagem a Zumbi foi mais do que justa, pois este personagem histórico representou a luta do negro contra a escravidão, no período do Brasil Colonial. Ele não foi só líder do Quilombo dos Palmares, ele morreu em combate, defendendo seu povo e sua comunidade. Os quilombos representavam uma resistência ao sistema escravista e também uma forma coletiva de manutenção da cultura africana aqui no Brasil. Zumbi lutou até a morte por esta cultura e pela liberdade do seu povo.

Zumbi morreu em 1695, mas a abolição da escravatura, de forma oficial, só veio em 1888. Porém, durante todos esses séculos, os negros sempre resistiram e lutaram contra a opressão e as injustiças advindas da escravidão.

Na trajetória da luta antirracista, principalmente desde 1988 – ano do centenário da “abolição” – surgiram diversas organizações negras nas sedes urbanas ou nos próprios quilombos, a exemplo do município de Paço do Lumiar e outros (Caxias, Codó, Mirinzal, Cururupu, Bacabal, Pedreiras, Lago da Pedra, São Luiz Gonzaga, Alcântara, Itapecuru-Mirim, Pinheiro, São José de Ribamar, Urbano Santos, Imperatriz, Açailândia, Lima Campos), trazendo como pano de fundo a organização política dos negros das zonas urbana e rural, pela conquista de seu espaço de cidadania e sua consciência política.

O Dia da Consciência Negra vale também para refletirmos por que sempre ocorreu uma valorização dos personagens históricos de cor branca. Como se a história do Brasil tivesse sido construída somente pelos europeus e seus descendentes. Imperadores, navegadores, bandeirantes, líderes militares entre outros foram sempre considerados heróis nacionais. Com Zumbi, tivemos a valorização de um líder negro em nossa história e, esperamos, que em breve outros personagens históricos de origem africana sejam valorizados por nosso povo e por nossa história.

Passos importantes estão sendo tomados neste sentido, pois nas escolas brasileiras já é obrigatória a inclusão de disciplinas e conteúdos que visam estudar a história da África e a cultura afro-brasileira.

No Brasil ainda tem preconceito. Ainda tem desigualdade entre brancos e negros, mas esta situação vem sendo transformada. A possibilidade de inserção aumentou. Nota-se mais compreensão, mais políticas públicas específicas para os negros e mais oportunidades na atual sociedade brasileira do que em outras ou há anos atrás.

O Dia da Consciência Negra mostra ainda que há dois lados: um de superação de problemas e preconceito, que inclui resistência política, luta por cidadania, luta por inclusão, autoestima e empoderamento. E outro que é o da conscientização, respeito, integração e comunhão entre os brancos e negros. Enfim, 20 de novembro é dia de luta e resistência, mas também é dia de reforçar relações interraciais mais humanas e igualitárias. É nisso que acreditamos.
  
Domingos Dutra

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