quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Polícia Federal investiga desvio bilionário de dinheiro da saúde no MA

A Polícia Federal está investigando um desvio bilionário de dinheiro da saúde no Maranhão. O esquema envolvia empresas terceirizadas e campanhas políticas.

A investigação é sobre o caminho do dinheiro que saía dos cofres públicos, do Ministério da Saúde, mas não chegava aos hospitais, aos postos de saúde, como dizem os investigadores. No meio do caminho, passava por essas empresas terceirizadas e a suspeita é de que acabava sendo usado em campanhas eleitorais.

Sacolas e pastas de documentos. Era tanto papel que foi preciso usar um carrinho. Duzentos policiais federais e representantes do Ministério Público Federal e da Controladoria-Geral da União participaram da operação. Os policiais federais apreenderam carros, dinheiro e obras de arte. A origem ainda está sendo investigada.

A Justiça Federal autorizou a prisão preventiva de 13 suspeitos no Maranhão, Recife e em São Paulo, buscas em 60 endereços e a convocação de 27 pessoas para depor.

Entre elas: o ex-secretário de Saúde do Maranhão Ricardo Murad. Também houve busca de provas na casa dele. A Polícia Federal chegou a pedir a prisão temporária de Murad, mas a Justiça não autorizou.

A suspeita é de que parte do dinheiro do Ministério da Saúde, que deveria ir para postos de saúde e hospitais públicos, tenha sido desviado para empresas contratadas sem licitação. Os investigadores afirmam que Murad terceirizou a gestão da saúde para facilitar a fraude.

Os desvios teriam ocorrido de 2010 a 2014 na gestão ex-governadora Roseana Sarney, cunhada dele. O delegado que comanda a operação afirmou que os repasses do Fundo Nacional de Saúde somaram R$ 2 bilhões entre 2010 e 2013. E que os desvios passaram de R$ 1 bilhão.

“O dinheiro que foi destinado ao Maranhão nesse período da investigação, entre 2010 e 2013, chega a R$ 2 bilhões. Nós estamos trabalhando na estimativa, segundo dados da própria CGU, de 60% desse dinheiro ter sido desviado”, afirma Sandro Jansen, delegado da Polícia Federal.

A TV Globo teve acesso à decisão que autorizou a operação. Segundo os investigadores, parte do dinheiro desviado financiou políticos apoiados por Ricardo Murad. Pessoas com cargos em hospitais e entidades que receberam o dinheiro público fizeram doações eleitorais.

Foram mais de R$ 205 milhões para partidos, candidatos e comitês de campanha em 2010, 2012 e 2014.

Na lista está a prefeita de Coroatá, no Maranhão, Maria Teresa Trovão Murad, que é mulher de Murad. Segundo a PF, a Litucera, uma das empresas do esquema, financiou mais de 60 candidatos a vereador em Coroatá. Sete foram eleitos do total de 13 vereadores da Câmara Municipal.

A defesa de Ricardo Murad e da esposa dele, Maria Teresa Murad, prefeita de Coroatá, informou que não vai se pronunciar enquanto não tiver conhecimento da acusação oficial.

A assessoria da ex-governadora Roseana Sarney, cunhada de Murad, disse que não vai comentar o caso porque desconhece a investigação. O Bom Dia Brasil não conseguiu falar com os responsáveis pela empresa Litucera.

Fonte: Bom Dia Brasil

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