terça-feira, 4 de agosto de 2015

E Agora Nauber?


















E agora,Nauber?

A festa acabou,

A luz apagou,

O povo sumiu,

E agora, Nauber?

E agora, você?

Você que é sem nome,

Que zomba dos outros,

Você que faz versos,

Que ama, protesta?

E agora,Nauber?


A noite esfriou,

O PSDB não veio,

A Candidatura não veio,

O riso não veio

Não veio a utopia

E tudo acabou

E tudo fugiu

E tudo mofou,

E agora, Nauber?

Sua doce palavra,

Seu instante de febre,

Sua gula e jejum,

Sua biblioteca,

Sua lavra de ouro,

Seu terno de vidro,

Sua incoerência,

Seu ódio - e agora?

Com a chave na mão

Quer abrir a porta,

Não existe porta;

Quer morrer no mar,

Mas o mar secou;

Quer ir para minas,

Minas não há mais.

Nauber, e agora?

Se você gritasse,

Se você gemesse,

Se você tocasse

A valsa vienense,

Se você dormisse,

Se você cansasse,

Se você morresse...

Mas você não morre,

Você é duro Nauber !

Sozinho no escuro

Qual bicho-de- Arari,

Sem teogonia,

Sem parede nua

Para se encostar,

Sem cavalo preto

Que fuja a galope,

Você marcha,Nauber!

Nauber, para onde?

Para onde?

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